Olívia Niemeyer - Ateliê de Arte

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- 2006 - "Um poema de Adelia Prado"

Café e Arte, Campinas. A percepção repentina, transitória e muito intensa da consciência do tempo. “Epifania”, talvez. Talvez “percepto”? Mas, naquela época, eu não tinha essas palavras para descrever a sensação do tempo se mostrando. E talvez não precisasse descrever a ninguém, nem a mim mesma. Era uma sensação muito rápida para ser importante. Eu “sentia”, de repente, estar ali, ouvindo a conversa dos adultos. Ou então, era a percepção diferente do escuro da noite, da iluminação do poste em frente de casa, de alguém riscando amarelinha ou caracol com um pedaço de tijolo no asfalto recém colocado na rua Afonso Pena. Logo, logo, a sensação de “ver o tempo de fora” passava. Poucos segundos, talvez. Algum som me colocava dentro do tempo e do espaço outra vez. Um cachorro late, um menino chora, alguém grita o café está na mesa, diz Adélia. Era assim mesmo.
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